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Livro impresso e e-book: concorrentes ou complementares?

April 19, 2019

 

Por Eduardo Villela

 

Quero começar o texto de hoje com uma reflexão. Imagine duas situações em que você teria de optar por uma delas. Na primeira, você visita um lugar distante de sua realidade e nessa viagem poderá sentir in loco todas as sensações que o lugar te provoca: os aromas e o sabor da comida local, ver e tocar as belas paisagens urbanas e rurais e etc. Já a outra alternativa é assistir um vídeo, documentário ou programa de viagem sobre o mesmo lugar, mas por melhor que seja a qualidade de roteiro e edição deles, o fato é que você não viveu a experiência sensorial de estar presente fisicamente. Qual seria a sua escolha? E se usarmos essa metáfora para a comparação entre os livros impressos e e-books?

 

Muitos acreditam que os livros digitais podem extinguir os livros impressos no futuro. Minha visão como Book Advisor é que o livro “em papel” não vai desaparecer, pois ele proporciona uma experiência de leitura que integra três sentidos: o tato, que nos faz sentir o toque na capa e a textura do papel das páginas, a visão, que usamos para a leitura em si e para nos deliciarmos com a beleza de páginas muito bem impressas (pense em livros de viagens, de vinhos e HQs que possuem muito conteúdo visual - fotos, ilustrações), e o olfato, trazendo-nos aquele cheirinho delicioso de livro novo que sempre sentimos assim que pegamos nas mãos um exemplar recém comprado.

 

O livro digital é um mercado novo que vem para ajudar a fortalecer o hábito de leitura. Ele complementa o papel do livro impresso. Não o enxergo como um concorrente que tirará o espaço do livro “em papel”. Ele inclusive pode contribuir positivamente para aumentar as vendas de livros impressos. Eu mesmo conheço pessoas que começaram a ler o livro digital de uma determinada obra e pouco tempo depois compraram a sua versão impressa.

 

Mas vamos, agora, dar uma olhadinha na realidade de mercado dos livros digitais no Brasil e no exterior. Nos EUA e no Reino Unido, os e-books chegaram a representar entre 15 a 25% das vendas das maiores editoras, mas estes percentuais estão em queda desde 2013. Por outro lado, as vendas de romances, obras de fantasia e livros de ficção científica publicados de forma independente possivelmente já ultrapassaram as vendas totais de e-books dos cinco grandes grupos editoriais destes países. Os dados foram apontados pelo  “Global eBook: a report on market trends and development” em 2017.

 

No Brasil, o Censo do Livro Digital mostrou que em 2016 foram vendidas 2.751.630 unidades de e-books, representando em dinheiro R$42.543.916,96. As vendas totais do mercado editorial brasileiro em 2016 foram R$3.915.054.463,33. Portanto, o valor das vendas de e-books representou 1,09% deste total. Ou seja, estamos em um país em que 98,91% das vendas são de livros impressos.

 

As vendas de e-books no Brasil ainda são pequenas quando comparadas a outros países por algumas razões. De acordo com o Censo do Livro Digital, de 794 editoras pesquisadas, apenas 37% delas produzem e comercializam conteúdos digitais. Outro fator, o principal em meu ponto de vista, é que a experiência de leitura de livros digitais deixa a desejar: um e-book ainda é um arquivo em texto estático e pouco versátil, além de sua leitura por mais de 1 a 2 horas em uma tela de notebook, smartphone, tablet ou e-reader cansar nossos olhos e estarmos mais sujeitos a uma perda de atenção e foco com o recebimento frequente nestes dispositivos de mensagens de Whatsapp, SMSs, e-mails e ligações.

 

Apesar da leitura de livros digitais não ser tão prazerosa como a de obras impressas, em um único dispositivo de leitura, como um kindle ou smartphone que pesam muito pouco, é possível armazenar uma infinidade de e-books.  

Acredito que, por meio da integração, viável de acontecer em poucos anos, de novas tecnologias (vídeos, áudios, animações e outras) ao texto, tornando a experiência de leitura do e-book muito mais agradável do que é hoje, poderá fazer o mercado de livros digitais apresentar um bom crescimento na próxima década. Imagine-se daqui a cinco anos lendo um livro digital que lembre um game de hoje? Como seria tal experiência para você?   

 

* Eduardo Villela é book advisor e, por meio de assessoria especializada, ajuda pessoas, famílias e empresas  na escrita e publicação de suas obras. Mais informações em www.eduvillela.com

 

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